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Doenças dos Peixes Tropicais

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Doenças dos Peixes Tropicais

Mensagem por Convidad em Qui Maio 03, 2012 2:22 pm

DOENÇAS DOS PEIXES E AS SUAS PRINCIPAIS CAUSAS

ACIDOSE: pH 5,5 ou menor, causa eriçamento das escamas e nadadeiras fechadas, o peixe nada em círculos, depois começa a tremer e finalmente morre. Corrija o pH gradualmente,antes que isso aconteça.


ALCALOSE: pH 8 ou maior, principalmente em água mole, o bicarbonato de cálcio presente na água se transforma em carbonato de cálcio insolúvel que ataca as guelras enadadeiras, provocando seu desfiamento e tornando a pele opaca. Corrija o pH gradualmente, antes que o peixe morra.

ÂNUS AVERMELHADO, com saída de mucosidade ou catarro intestinal: o peixe apresenta falta de apetite, emagrecimento e saída de mucosidade (catarro) pelo ânus; é uma inflamação dos intestinos (enterite) causada por má alimentação, como alimentos secos de má qualidade, com excesso de gordura ou proteínas, excesso de alimentação com tubifex. Deixar o peixe afetado uma semana sem comer e reiniciar a alimentação de forma correta, veja aqui como proceder.

Argulose ou piolho d\"água: é causada por um crustáceo parasita (Argulus Foliaceus) de 4 a 5 mm o macho e 7 mm a fêmea. O sintoma mais claro são manchas vermelhas na pele dos peixes, onde o crustáceo aplicou seu ferrão. Retirar o peixe e tocar o parasita com algodão com água salgada, também pode ser usado banhos com permanganato de potássio 1 g / 100 litros de água, durante 10 a 30 minutos, repetindo novamente uma semana depois. É necessário desinfetar o aquário antes de colocar os peixes novamente.

AVITAMINOSE E HIPOVITAMINOSES: são causadas pela falta total ou deficiência de vitaminas. Aparecem furos sobre os opérculos, guelras inflamadas, feridas avermelhadas pelo corpo, lábios feridos e em geral atacados por fungos. É causada por uma alimentação deficiente e pouco variada, utilize sempre os melhores alimentos e varie o cardápio, oferecendo também alimentos vivos. Administre um complexo vitamínico usado para pássaros, embebendo a comida em flocos nele ou então utilize artêmias previamente alimentadas com o produto. Veja na página sobre alimentação mais orientações.

BARRIGA INCHADA: pode ser sintoma de Ascite Infecciosa ou Hidropsia, hipertrofia (aumento) dos órgãos internos, gases, prisão de ventre, etc. Pode ser causada por uma alimentação deficiente e pouco variada, deixe o peixe afetado 1 dia ou 2 sem comer e reinicie a alimentação de forma correta, utilize sempre os melhores alimentos e varie o cardápio, oferecendo também alimentos vivos. Porém se for Ascite não há nada a fazer, pois ela não tem cura. Veja também Hidropsia, a seguir.

BRANQUITE (inflamação das brânquias): sintomas > brânquias inflamadas, indiferença geral, apatia, e às vezes manchas brancas sobre o corpo. Transfira o peixe para o aquário hospital e aumente a aeração, diminua a quantidade de alimentos vivos.

CATARATA VERMINÓTICA. É causada pela larva de um verme, o Hemistomum spathaceum, cujo adulto é parasita de pássaros aquáticos e cujos ovos saem com suas fezes, caindo na água onde eclodem e as larvas vão infestar o peixe. Não há transmissão de peixe a peixe, porque o verme precisa de uma ave como hospedeiro intermediário, para que se torne infestante. Tratamento: sulfamerazina-sódio, 1 g por litro de água 2 a 3 semanas; Fuadin, 5 ml para 100 litros de água; tártaro emético, 150 mg para 100 1 de água.

CHOQUE. É um acidente comum em peixes recém capturados ou quando são transferidos de aquários com diferentes temperaturas (choque térmico). Quando intenso, pode ser fatal. Sintomas: aceleração dos movimentos respiratórios, o peixe nada com as nadadeiras dobradas e se esconde pelos cantos ou tocas. Quando se assusta, foge apavorado. Tratamento: separar o peixe em outro aquário, deixá-lo bem quieto, dar-lhe um abrigo e iluminar o aquário, quando necessário.

COCCIDEOSE OU EIMERIOSE. É causada por um parasita, um coccídeo, a Eimeria cyprini. Sintomas: olho fundo, fezes amarelas e o doente nada de cabeça inclinada para baixo. Tratamento: banho rápido em solução de sal, 20 g para 5 litros de água.

COLORAÇÃO PRETA. Pode ser uma doença intestinal (quando a cor não é a normal do peixe). Quando a região que fica preta é a cauda, podemos suspeitar de uma Mylosomose, principalmente quando vem acompanhada dos sintomas dessa doença.

CONGESTÃO OU INFLAMAÇÃO DAS NADADEIRAS. Elas ficam congestionadas (vermelhas) devido à maior quantidade de sangue nelas existentes. Suas causas são, em geral, temperatura inadequada, esfriamento ou superalimentação. Tratamento: banhos de permanganato de potássio, 1 g para 100 litros de água ou de água salgada, 1 g de sal para 1 litro de água, durante 3 min.

CONSTIPAÇÃO OU PRISÃO DE VENTRE. Sintomas: perda de apetite, apatia, gases saindo do ânus, fezes duras e compridas como filamentos pendurados no peixe e por ele sendo arrastadas, quando nada; ventre aumentado, ficando ele com a barriga grande. Causas: defeitos de alimentação, principalmente quando dados alimentos secos e enquitréias. Alimentação variada e com alimentos vivos como minhocas, larvas de mosquitos etc, evita o seu aparecimento. Tratamento: dar óleo de rícino ou outro laxante especial vendido no comércio, como o agar-agar, sal de Epson etc. Podemos dá-los por via oral (boca), embebidos em alimentos secos ou sob a forma de clister, por via anal. Deixar o peixe jejuar alguns dias e depois dar-lhe os alimentos vivos já mencionados, exceto minhocas brancas, porque provocam constipação.

COSTÍASE. É produzido pelo Costia necatrix, flagelado de 15 a 20 micra, que só ataca quando o peixe tem queda de resistência. Localiza-se principalmente sobre as nadadeiras moles que ficam opacas ou turvas. Há entumescimento dos tecidos e hemorragias. O peixe passa a nadar aos balanços, e fica cada vez mais fraco. Não é comum em peixes tropicais. O parasita morre em 30 a 50 min quando fora do peixe, em água acima de 30° C. Quanto maior, mais resistente é o peixe, embora possa morrer, se não for tratado. Tratamento: uma boa alimentação e formalina, 0,85 a 2 ml de uma solução a 40% para 10 litros de água, banhos repetidos de 2 em 2 dias; sal comum, 10 a 15 g para 1 litro de água, banho de 15 a 30 min, de 2 em 2 dias até à cura, mas mudando o peixe de aquário; Tripaflavina, 1 g para 100 litros de água, banhos de 2 em 2 dias cura a doença em 10 dias; Hidrocloreto de quinino 1,3 a 1,6 para 51 de água em aquário sem planta e banho prolongado até à cura.

DACTILOGIROSE (FLUKES ). Produzida pelo Dactylogirus, verme parasita de 4 olhos e 2 trombas ligadas às glândulas que secretam um líquido irritante. Típico das guelras, é mais perigoso que o Gyrodactylus. O paciente boqueja, suas guelras aumentam, ficam pálidas, salientes e com as bordas engrossadas, forçando os opérculos a ficarem entreabertos. O parasita se fixa no peixe por meio de um disco especial e introduz sua tromba para sugar-lhe o sangue. Reproduz-se por ovos. No início da doença, podemos tentar o tratamento com azul de metileno, 2 mg por litro de água; 2 ml de formalina a 40% para 10 litros de água, banhos de 30 a 45 min, retirando o peixe, logo que apresente sinais de angústia. Usar aeração durante o tratamento. Após 3 dias, trocar metade da água e depois de mais 3 dias, trocar, também metade da água. Banho de sal comum, 10 a 15 g por litro de água, 20 min; ácido acético glacial, 1 parte para 500 partes de água, repetindo 3 dias depois; formaldeído, banhos de 5 a 10 min. Pouco comum nos aquários de peixes ornamentais. Quando a infestação é grande, pode haver destruição do tecido branquial e ruptura de vasos, com a morte por asfixia ou hemorragia.

DEFORMAÇÕES DOS MAXILARES. São provocadas, em geral, pelo Mylosoma cerebralis, como na milosomose.

DESCAMAÇÃO. Pode ser sintoma de tuberculose.

DIPLOSTOMÍASE. Produzida pelo verme Neodiplostomum cuticola, em sua forma larval e que fica enquistado, cercado por células pigmentares que dão, por fora, a impressão de pontos pretos. Quando os pontos são muito pequenos, são amarronzados. O quisto contém o verme que vive enrolado e com movimentos muito lentos. Para que infeste um peixe, é preciso que complete seu ciclo evolutivo: um pássaro aquático serve de hospedeiro para o parasita que se localiza no seu intestino. Ao defecar, lança os ovos do verme na água, onde eclodem e as larvas infestam caramujos, passando deles para os peixes. Quando o peixe é comido por uma ave aquática, recomeça o ciclo evolutivo. Para evitar a doença, basta não ter caramujos no aquário. Tratamento: ácido pícrico, 1 g para 1001 de água. Usar 2 a 7 ml para 1 litro de água, para banho de 1 hora. Caso o peixe apresente algum problema, retira-lo imediatamente do banho.

DOENÇA DO ALGODÃO; FUNGO BUCAL; MOFO DOS PEIXES; LIMO DOS PEIXES. Muito contagiosa, causada pela bactéria Flexibacter columnaris; ataca peixes marinhos e de água doce. Sintomas: formações, linhas ou manchas branco-azuladas em volta dos lábios dos peixes, os quais ficam inchados, as partes atacadas necrosadas e depois com as lesões com aspecto de maceradas; perda de apetite; os movimentos vão se tornando lentos, toda a parte frontal da cabeça é atacada e o peixe morre. O nome popular "mofo dos peixes" está errado, pois é uma doença por bactéria e não por fungo. O corpo do animal fica revestido por uma camada que parece limo. Tratamento: aureomicina ou terramicina, 50 mg para 5 litros de água, podendo curar em 48 horas; pincelar o local com mertiolato (tintura), pode curar a doença com uma só aplicação; 10.000 a 25.000 U.I. de penicilina por litro de água, repetindo a dose, se preciso, ou 50.000 U.I. curam em 4 a 5 dias; verde-brilhante (VERDE MALAQUITA) dissolvido em álcool etílico; Phenoxethol, sulfamidas, cloromicetina ou acromicina também curam. A mortalidade é de 100% para os peixes sem tratamento.

DOENÇA DO NEON OU PLISTOFOROSE. É produzida pelo Plistophora hyphessohryconis (esporozoário). Ataca principalmente os neons tetra e outros peixes como os paulistinhas, o espada, o engraçadinho etc. Sintomas: perda de apetite, nada sem parar, inclusive à noite; fica muito agoniado, nada em posição anormal (oblíqua); apresenta descoloração, como nos casos do neon tetra e do cardinal, nos quais começa como manchas que se estendem até atingir sua faixa fosforescente; fica separado do cardume; emagrece, ficando desbarrigado; há endurecimento e destruição dos tecidos. Ataca os rins. Não há tratamento especifico. Tentar banho em uma solução de 2,5 g de euflavina ou 2 g de azul de metileno para 100 litros de água, durante 15 dias. Pode ser tentado também o formaldeído. A cura é difícil.

DOENÇA DAS BORBULHAS. Causas: super aeração da água ou aumento da sua pressão gasosa sobre o peixe, fazendo com que os gases que seriam por ele eliminados, se acumulem debaixo da pele, podendo até matá-lo. Uma boa aeração ou a troca, mesmo que parcial, da água, resolvem o problema.

DOENÇA DOS NÓS. É um nome dado a várias doenças que apresentam os mesmos sintomas, mas causas diferentes. Sintomas: quistos ou nós na pele, confundidos, às vezes, com os do Ichthyophthirius ou com bolhas ou bolsas provocadas por processos ocorridos no interior dos músculos. Esse grupo de doenças é produzido por esporozoários, parasitas protozoários em forma de amebas, que se reproduzem enquistando no hospedeiro e produzindo centenas ou milhares de esporos de 4 a 20 micra. São encontrados nos órgãos dos peixes, mas raramente na pele, onde são confundidos com os do Ichthyophthirius, mas que não podem ser curados com azul de metileno ou quinino, como ele. Entre os desse grupo temos o Alburnus lucidus; Glugea anomala; Henneguya sp; Leucistus rutilus; Myxolobus dispor; M. exiguus e M. oviformis. Dificilmente atacam um aquário. Não há tratamento.

DOENÇA DOS PONTOS DAS NADADEIRAS DOS LABIRINTÍDEOS. É causada pelo Pseudomonas fluorescens. Sintomas: pontos corroídos, às vezes vermelhos cor de sangue na pele e pontos vermelhos claros na pele e nadadeiras. É em geral acompanhada por uma infestação por fungos. Essa bactéria vive livre, sendo uma das mais comuns em aquários. Nos labirintídeos não há o aparecimento de ulcerações ou tumores, como ocorre nas lampréias e enguias. Sintoma principal: presença de uma camada de pó brilhante sobre todo o corpo, nadadeiras, cauda e guelras, onde causa hemorragias e onde deixa seus filamentos. Começa provocando certa irritação e dificuldade respiratória, inclusive aceleração dos movimentos respiratórios. Perda de apetite, movimentos lentos, nadadeiras permanecem dobradas, vem a perda do equilíbrio e o peixe morre. Quando o parasita penetra no cérebro, há descoordenação de movimentos. Podem aparecer úlceras na pele, com cistos do parasita. São encontrados no coração, fígado, baço, rins, estômago, intestinos e órgãos reprodutores. Os cistos são como que grãos cinza esbranquiçados ou laranjas contendo o parasita e encontrados entre os tecidos, parecendo pedrinhas ou areia. Devem ser retirados com uma pinça. Essa doença pode se espalhar rapidamente. Em geral surgem doenças secundárias. Tratamento: sulfato de cobre, 1 g para 1 litro de água e colocar 1 ml dessa solução para cada 2 litro de água do aquário. Repetir a dose 48 horas depois, se não houver melhora acentuada. Antes da aplicação, isolar o doente em outro aquário. Acriflavina dá bons resultados. Elevar a água a 28° C facilita a saída dos parasitas para a água, onde são liquidados.

DOENÇAS DA BEXIGA NATATÓRIA. Sintomas: anormalidades no nadar, pois o peixe fica com a cabeça caída para baixo e para a frente, não consegue ficar nivelado e tem dificuldade para subir à tona, permanecendo às vezes no fundo ou então na superfície, de barriga para cima. Sua causa em geral é alimentar, devido a uma alimentação deficiente e não variada. Basta que seja corrigida a alimentação para os sintomas desaparecerem. Pode ter outras causas como uma paralisia da própria bexiga natatória, por mudança brusca ou acentuada da temperatura. Neste caso; baixamos o nível da água a no máximo 3 vezes a altura do peixe na sua posição normal, pois sendo obrigado a permanecer no fundo, deixa de absorver ar, aumentando suas probabilidades de cura, já bem grandes. Degeneração da bexiga natatória, sintoma de doença infecciosa como a ascite (pelo Ichthyophonus) são outras de suas causas. Os distúrbios do equilíbrio podem ter outras causas como produção de gases intestinais (mesmo tratamento que para a constipação). Não é mortal e o peixe pode viver muito tempo. Boa alimentação e controle da temperatura a evitam. Não há tratamento específico.

DOENÇAS DA PELE. A pele do peixe tem uma camada exterior, a epiderme, que secreta um muco viscoso cobrindo todo o corpo do peixe, como uma verdadeira película protetora contra bactérias, fungos etc e que aumenta muito quando a pele fica irritada por picadas, ferimentos etc. A sua diminuição pode ser sintoma de anormalidade. A derme, camada inferior da pele, é formada por feixes de tecidos bastante vascularizados. As escamas são nela fixadas por ligamentos e cobertas por células epiteliais. Quando alguma bactéria penetra no alvéolo onde se fixa a escama e provoca uma inflamação, há logo a produção de exudato (líquido) que causa uma pressão forçando o eriçamento das escamas. Sob a derme estão as células gordurosas, enquanto entre ela e a epiderme, ficam os cromatóforos ou células pigmentares que dão as cores aos peixes. Os peixes com saúde têm sua cor normal. Uma palidez ou descoloração podem significar alteração passageira, mimetismo, doença ou um choque, que ocorre em geral quando um peixe tropical, p. ex. é colocado em aquário com água fria ou sofre mudanças bruscas de temperatura.

EMAGRECIMENTO; OCTOMICOSE. Quando o peixe emagrece muito, não sendo por fome, podemos pensar em tuberculose e depois em octomicose, produzida por um flagelado que vive em seus órgãos internos, o Octomitus. Ataca os peixes vivíparos, o Cichlasoma, o Discus, o Heterandria, o Scalare etc. Usar tripaflavina ou calomelano na dose de 2 g para 1 k de alimentos, durante 4 dias.

ENVENENAMENTO OU INTOXICAÇÃO. Causas: ingestão de alimentos estragados, águas poluídas e outras de ordens química ou biológica. Não é doença mas pode ser mortal, se o peixe não for removido do aquário contaminado e colocado em outro com água limpa, nova e de boa qualidade (vêr intoxicações).

ESCAMAS ERIÇADAS. Pode ser em todo o corpo ou em apenas algumas partes. Quando é generalizada, encontramos pontos vermelhos ou equimoses pelo corpo e nadadeiras. As escamas podem ficar dilaceradas e até mesmo cair, se o peixe sofrer alguma fricção. Elas ficam eriçadas devido à pressão dos líquidos contidos nos tecidos, bastando fazermos uma pressão sobre uma escama, para que debaixo dela saia esse líquido. Podem ser sintoma de várias doenças como hidropsia pelo Vibrio piscium e muito contagiosa ou pelo Bacterium lepidorthosae (lepidortose). Sintomas: curso lento; levantamento das escamas 3 a 4 semanas depois da contaminação; movimentos lentos; respiração acelerada; cauda fica paralisada; doente fica só perto da superfície e morre em poucos dias. Quando a infecção é aguda, nem há eriçamento das escamas, mas as manchas na pele da barriga, sempre aparecem. Nos aquários, ocorre principalmente nos laberintídeos e com mais freqüência, nos betas e peixes paraiso. Embora contagiosa, não provoca epizootias. Não há tratamento eficaz e o doente deve ser sacrificado, o aquário bem desinfetado e trocada toda a água. Tratamento: tentar com tripaflavina, 1 ml para 201 de água, banhos de 24 a 48 horas. Desinfetar o aquário com permanganato de potássio a 2%.

EXOFTALMIA, OLHOS SALTADOS OU POP-EYE. Mais comum nos peixes de água salgada do que nos de água doce. Pode ser uma simples inflamação, podendo o peixe curar-se; uma hemorragia dos capilares, por pressão interna de gás; uma hidropsia etc. Em geral devemos sacrificar o doente. Pode ser conseqüência de tuberculose ou infecção pelo Pseudomonas punctatus, embora nem sempre ele seja encontrado nas lesões. Sintomas: 1 ou 2 olhos aumentados, parecendo que vão saltar das órbitas. Os escalares são muito sujeitos a ela. Tratamento: o mais simples é com o banho de sal durante 36 horas e depois aplicação de um colírio como o Argirol a 5 % . Não há tratamento específico. Baixar a temperatura da água diminui a pressão.

FERIDAS OU FERIMENTOS. Quando no olho ou na retina, podem ser causados por picadas de outros peixes, crustáceos, parasitas ou mesmo ulcerações. Nas feridas das nadadeiras, pele e brânquias, notamos a pele rosada. A cauda em geral é a mais atingida. Podem ser causadas também por crustáceos das guelras, piolhos ou doenças dos órgãos internos, como a ictiofonose, por ex. Quarentena: 3 a 8 dias, embora não haja contágio. Tratamento: 3 a 8 dias. Separar o doente e colocá-lo em água nova com permanganato de potássio a 2%, dar pouca alimentação ou pincelar o ferimento com tintura de iodo, mertiolato etc.

DESTRUIÇÃO TRAUMÁTICA DAS NADADEIRAS. É causada em geral por brigas, pontas de pedras ou manuseio inadequado. Nos betas há regeneração dos tecidos, enquanto que nos outros peixes, uma cicatrização. Tratamento: isolar o doente e coloca-lo em uma solução de azul de metileno a 5 % , na dose de 2 gotas para 5 litros de água, até à cura; 2 a 5 gotas de mercúrio cromo a 5 % para 5 litros de água do aquário, ou pincelar as lesões com mercúrio cromo a 2%.

FLUKES. Vêr girodactilose.

FUNGOS NOS OLHOS. É muito perigosa, porque eles podem penetrar no cérebro, com fatais conseqüências. O tratamento é diferente dos usados para as outras fungoses e, para isso, pegamos um cotonete com algodão na ponta, molhado com uma solução de nitrato de prata a 1 % e o aplicamos sobre o olho infestado. Fazemos depois um segundo toque, mas com uma solução a 1 % de bicromato de potássio, para evitar uma reinfestação e colocamos o doente em um banho de bicromato de potássio, 1 g para 30 litros de água, até à cura. Durante esse tempo, repetir o tratamento local.

FUNGOS. As feridas dos peixes são em geral atacadas por fungos, sob a forma de uma placa fina e macia sobre toda a região lesada. Pode ser fatal. Tratamento: aureomicina, 1 g para 100 litros de água.

FUNGO BUCAL. Vêr doença do algodão.

GIMNODACTILOSE. Muito contagiosa, produzida pelo Gymnodactylus apresenta como sintoma, o fato de o doente dar corridas súbitas e rápidas e paradas também bruscas. Tratamento: banho de ácido acético glacial, 1 parte para 500 partes de água, banho de 20 segundos, 2 dias seguidos ou formaldeído, 4 gotas em 1 litro de água, durante 5 min, bem como banho de permanganato de potássio, 3 g para 1 litro de água.

GIRODACTILOSE. Causa: Gyrodactylus, verme cego de 0,5 a 0,8 mm de comprimento, que tem uma ventosa na boca e um gancho na cauda, pelo qual se fixa no peixe. Este vai ficando cada vez mais pálido, a pele produz mais mucosidade e com manchas ou pontos hemorrágicos também nas nadadeiras. Mesmo quando as guelras não são afetadas, há respiração acelerada. O peixe fica triste, cansado, com os movimentos cada vez mais lentos, permanece na superfície e morre. A confirmação da doença, pode ser feita em laboratório. Tratamento: banhos de 30 min em formalina, 2 ml de solução a 40% para 10 litros de água, morrendo o parasita em menos de 20 minutos. Boa aeração durante o banho; azul de metileno a 5 % , uma gota por litro de água; 10 a 15 g de sal em 1 litro de água, banhos de 20 min. As más condições do aquário concorrem para o aparecimento da doença.

HIDRA DE ÁGUA DOCE. É um pequeno animal medindo 2 cm de comprimento, cujo corpo é formado por um verdadeiro saco com um orifício único, que serve de boca e anus e pelo qual entram os alimentos ingeridos e saem os excrementos. Sua multiplicação é muito rápida, infestando todo o aquário, com grande rapidez. Como ataca e come peixes pequenos, deve ser combatida. Para impedir sua entrada no aquário devemos examinar rigorosamente todas as plantas antes de serem nele colocadas, lavá-las com água corrente e depois mergulha-las em uma solução de permanganato de potássio ou azul de metileno. Os Trichogasters são grandes devoradores de Hidras.

HIDROPSIA. Causada pelo Aeromonas punctatus, comum nos ciprinideos, mas relativamente rara nos outros peixes de aquário, principalmente tropicais, muito resistentes a ela. A mortalidade dos doentes é de 30 a 40%. Produz deformações, úlceras, ascite (barriga d\"água) etc. Na forma generalizada, os doentes ficam muito inchados (edemaciados) e, por isso, suas escamas ficam muito eriçadas, chegando a formar um ângulo de 90° em relação ao corpo ou então sob a forma localizada, com os mesmos sintomas, mas localizados apenas em algumas partes do corpo. Cura quase impossível. Tentar com injeções de cloromicetina, 0,1 mg para 10 g de peso vivo; streptomicina, 1 mg para 50 g de peso vivo, sulfamidas, Phenoxethol, 10 a 20 ml de uma solução a 1 % por litro, colocada aos poucos, por 24 horas. Período de incubação: 4 a 8 dias. Isolar o doente e desinfetar o aquário. Diagnóstico: pelos sintomas ou em laboratórios.

ÍCTIO, ICTIOFITIRIOSE OU PONTO BRANCO. É a mais temida pelos aquaristas, a mais comum e perigosa, liquidando todos os peixes, se não for combatida a tempo. A falta de luz concorre para que apareça, porque diminui a resistência dos peixes, pela queda do teor de oxigênio da água e diminuição de microrganismos que lhes servem de alimentos, bem como mudanças bruscas de temperatura. Sintomas: grande número de pontinhos brancos e redondos do tamanho da cabeça de alfinete (0,5 a 1 mm de diâmetro) no corpo e nadadeiras, ficando o peixe todo salpicado de branco; muita coceira causada pelos parasitas; o peixe se esfrega em tudo o que encontra, para se coçar (pedras, cama etc). Sintomas: movimentos diminuídos; fecham as nadadeiras; ficam parados e deitados no fundo. Pode apresentar uma placa que em poucos dias se desprende, vai ao fundo, se rompe e solta centenas de parasitas que vão infestar outros peixes. Quando o parasita está "maduro", os pontos brancos debaixo da pele ou nas guelras se rompem, soltando de 600 a 1.200 esporos que vão infestar outros peixes, morrendo na água, em 2 ou 3 dias, quando não os encontram. Na água são mais fáceis de serem combatidos. Diagnóstico: a olho nu, pela observação direta dos quistos. Quarentena: 2 a 4 semanas para peixes tropicais e 4 a 8 para os de água fria. O Ichthyophthirius multifilis, parasita unicelular que a produz, aparece ao microscópio como um núcleo escuro em forma de ferradura e com um movimento giratório característico, com o auxílio de seus cílios vibráteis, o que não ocorre com o Oodinium. A pele se irrita e reage, envolvendo o germe com uma camada celular (pele). Alimenta-se de sangue, causando uma anemia cada vez mais profunda e a morte. Quando ataca as guelras, o peixe morre por asfixia. Acontece que às vezes o parasita desaparece espontaneamente do aquário, mas reaparece quando um peixe novo é ai colocado, mesmo que esteja sadio. É doença essencialmente de peixes de água doce, morrendo o parasita em água salgada. Há um Ichthyophthirius de água salgada. Elevar a água a 30° C durante vários dias, trocando o peixe de aquário, é um meio de combater essa doença. Tratamento: água salgada; azul de metileno, 0,8 a 1 ml de solução a 1 % para 51 de água, repetindo o banho 1 ou 2 vezes; atebrina, 300 ml para 3001 de água (afeta a fertilidade), trocando a água após o tratamento; sulfato de cobre 0,8 a 1 ml para 1 litro de água, até à cura, trocando 3/4 da água e rigorosa limpeza do aquário, eliminando todas as algas; hidrocloreto de quinino (não mata as bactérias), 12,5 ml para 5 litros, trocando a água a cada 2 ou 3 dias; tripaflavina dá bons resultados. Os banhos devem ser dados a 16 ou 20° C para peixes de água fria e de 21 a 27° C ou mais, para os tropicais.

ICTIOFONOSE. Muito espalhada, de diagnótico difícil, é produzida pelo Ichthyophonus hoferi, parasita medindo 5 a 20 micra de diãmetro. Transmite-se por esporos, através de alimentos contaminados por esse germe que se desenvolve no estômago e intestinos, sendo eliminados pelas fezes. Alguns perfuram a parede do intestino e são levados pelo sangue para diversos órgãos como coração, fígado etc, onde ficam sob a forma de pequenos nódulos pardos ou pretos. Quando eles se rompem, os órgãos são atacados e o peixe morre. Ela só aparece quando o parasita é levado por alimentos, materiais ou peixes contaminados, mas as más condições da água facilitam sua difusão. Os peixes a transmitem uns aos outros através de feridas e abcessos ou pela ingestão de peixes mortos por ela. No estômago, o quisto se rompe, soltando as larvas infestantes. Sintomas: os primeiros são difíceis de serem identificados, são muito variados e podem ser perda de apetite; entorpecimento; olhos saltados, nadadeiras dobradas; peixe escondido a maior parte do tempo; vem instabilidade para nadar e movimentos estranhos; fica no fundo, com a barriga inchada e ou corpo todo inchado (edemaciado); pele e escamas ficam como que vidradas; o doente vira sobre o seu eixo e fica balançando; formam-se, às vezes, placas ou ulcerações na pele; emagrecimento; pele desbota; nadadeiras perdem pedaços; boca sempre aberta. O doente às vezes só morre após 6 meses. O peixe deve ser sacrificado, porque não há cura. Tratamento: tentar Phenoxethol, solução a 1 % , na dose de 10 % da solução para 1 litro de água do aquário. Para adultos, usar 30 ml por litro. O para-chlorophenoxethol é mais eficiente nas doses de 1 ml para 1 litro de água destilada, sendo usada 0,1 % desta, na solução em que adicionamos 50 ml por litro, mas aos poucos, durante 24 horas. Após 100 horas nessa solução, os parasitas, em todos os seus estágios, ficam completamente degenerados.

ICTIOZOOSE. Infecto-contagiosa por vírus, ataca os peixes de água doce e às vezes os marinhos. A mortalidade de doentes é acima de 90%. Como uma causa predisponente, temos o "stress" por temperatura, com água abaixo de 15° C. Sintomas: inflamação nas bases das nadadeiras, principalmente peitorais. O doente nada devagar e descontrolado, dando voltas e ficando à superfície da água e até com parte do corpo de fora. Fica também no fundo, virando de lado. Morre em poucas horas. Outro sintoma é que a boca e estômago ficam cheios de barro. Não há tratamento especifico, podendo ser usados antibióticos para combater invasões secundárias por bactérias ou fungos.

INFLAMAÇÃO DO ESTÔMAGO (GASTRITE). É provocada, em geral, por muito sal nos alimentos. Não ocorre quando são dados alimentos vivos. Sintoma principal: avermelhamento da mucosa estomacal. Tratamento: o mesmo que para a enterite.

INFLAMAÇÃO INTESTINAL (ENTERITE). Prende-se geralmente a problemas de alimentação, quando os peixes recebem somente alimentos secos ou vivos. Variar a alimentação evita esse distúrbio. Sintomas: não podem ser vistos externamente, exceto alguns gerais como perda de apetite, escurecimento da cor etc, mas que podem significar outras doenças. Na necrópsia, vemos os intestinos vermelhos, inflamados, veias bem visíveis e as paredes engrossadas, enquanto que os órgãos ficam aumentados, às vezes 1,5 vezes o seu tamanho. Pode aparecer um líquido sangüíneo nos intestinos, expelido quando fazemos pressão sobre a barriga do peixe. Fezes amarelas ou vermelhas, podem significar enterite. Tratamento: suspender a alimentação por 5 ou 6 dias e depois, aos poucos e devagar, dar ao doente outro tipo de alimentação, voltando à normal, bem variada, logo que não houver sangue nas fezes.

INTOXICAÇÕES POR METAIS. Objetos, pedras com traços de cobre, alumínio, zinco etc. em contacto com a água, produzem sais tóxicos para os peixes. Sintomas: olhos embaciados, dificuldade respiratória, inquietação ou excitação e depois o doente fica balançando na água e acaba morrendo deitado no fundo ou na superfície, mas sem nenhuma reação. O tratamento leva de 20 minutos a vários dias. Fazer testes de cobre, NO2 etc e verificar se não foi feita alguma pulverização, mesmo com "spray", perto do aquário. Trocar a água, manter o peixe em água de boa qualidade e uma boa aeração é o indicado, além de verificarmos a causa da intoxicação, para combatê-la.

INTOXICAÇÃO POR NITRITOS ( NH3 ). Superpopulação, água não estabilizada e excesso de alimentos são as suas causas. Sintomas: olhos embaciados; dificuldades respiratórias; doente inquieto, fica balançando na água e morre deitado no fundo ou na superfície, mas sem qualquer reação. Tratamento de 20 min a alguns dias. Trocar a água e manter o peixe em água nova bem estabilizada.

INTOXICAÇÃO POR SUBSTANCIAS QUÍMICAS como desinfetantes, detergentes, inseticidas, resíduos diversos, fumaças de cigarros e charutos etc. Sintomas e tratamento: os mesmos de intoxicação por nitritos.

LEPIDORTOSE. É infecto-contagiosa, produzida pelo Bacterium lepidorthosae, pelo Vibro anguillarum e outros, segundo alguns autores. Ataca peixes tropicais. Sintomas: perda de escamas por todo o corpo e mais no dorso; movimentos cada vez mais lentos; respiração acelerada e a cauda vai ficando paralisada. O doente fica na superfície, perde a noção de fuga e morre em mais de 80% dos casos, quando não há tratamento. Os peixes sadios são portadores e a transmissão é direta ou indireta, pela água contaminada. Dura 3 a 4 semanas. Tratamento: sulfanilamida, cloromicetina e phenoxethol. Retirar os doentes e mortos e desinfetar o aquário.

LIMO DOS PEIXES. Vêr doença do algodão.

LINFOCISTOSE. É contagiosa, produzida por um vírus de localização cutânea. Ataca a pele e nadadeiras, sendo em geral de evolução benigna. Ataca os peixes marinhos e alguns de água doce (macropodos). Em alguns desaparece em 6 ou 7 meses. A reação da pele produz crostas brancas semelhantes a placas em forma de 5 a 20 nódulos característicos, de cor creme, lisos ou rugosos, de 10 a 20 mm de diâmetro sobre as nadadeiras e as bordas dos opérculos branquiais e depois sobre todo o corpo. Em geral ocorre uma infecção bacteriana secundária, prejudicando ainda mais o paciente. É mais comum no verão e a quarentena só é indicada em caso positivo da doença. Os sadios podem ser portadores do vírus. Incubação: 40 a 50 dias e o tratamento deve ser feito por várias semanas, até à cura. A infecção secundária, quando aparece, pode ser controlada pelo ozônio ou raios ultravioleta. Aparar as nadadeiras afetadas, com uma tesoura bem afiada e pincelar as partes contaminadas e os locais dos cortes, com tintura de iodo, 1 parte para 3 de água. O peixe paraíso e outros são mais atacados. Separar os doentes e desinfetar o aquário. Não há tratamento específico.

FONTE: http://clube_do_aquario.no.comunidades.net/index.php?pagina=1301891552
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